Valentina no aniversário de 1 ano, setembro de 2016. Foto: Catarina Monteiro.

O uso da chupeta. E aí na casa de vocês como funciona? Aqui nós conseguimos com que Valentina pouco depois de completar dois anos de vida deixasse de usar. Claro que eu como #paideverdade não queria de jeito nenhum (nem Joana queria) que nossa filha usasse. Cheguei a dizer a parentes que deram chupeta (pessoas mais experientes) que isso não daria certo.

Aprendi que em momentos da vida é preciso ceder em determinados momentos. Valentina necessitava de usar e nós de ceder a um desejo que acredito ser fisiológico. Você sabia que na oitava semana de vida uterina, o reflexo de sucção começa a aparecer no bebê como questão de sobrevivência, já que ele precisa sugar para se alimentar? Pois é! A sucção também dá prazer, pois promove a liberação de endorfina – hormônio que produz um efeito de modulação da dor, do humor e da ansiedade – provocando uma sensação de bem-estar.

De alguma maneira essa endorfina circulava no “corpinho” dela e a deixava tranquila. No entanto, a sucção do bebê ao mamar no seio materno é diferente de sugar uma chupeta. Para saber mais informações acerca desse assunto que causa tantas perguntas, conversamos com a Dra. Gabriela Trindade, especialista em odontopediatria da clínica Abre o Bocão, no Parnamirim, localizada na zona norte do Recife, que explicou algumas questões.

Nos jardins de Palermo durante férias na Argentina, julho de 2017.

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De maneira geral, o ideal é evitar que a criança faça o uso da chupeta, pois é um acessório que pode causar alterações na dentição somente resolvidas com o uso de aparelho ortodôntico. “O uso frequente de bicos artificiais trazem prejuízos ósseos e musculares para a face da criança. Mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, interposição lingual e deglutição atípica são algumas das alterações provocadas por maus hábitos, como chupar dedo e chupeta”, explicou a Dra. Gabriela Trindade.

Pensando em todas essas questões que eu e Joana optamos em tirar a chupeta o quanto antes, mas não imaginávamos que seria tão rápido quanto foi. Num dia que ela tinha voltado da escola (a chupeta sempre ia na bolsa dela) não encontramos na bolsa. Procuramos e nada. O que dizer a nossa filha?

Como sempre optamos em falar a verdade e deixar tudo bem explicado. Notamos que essa maneira respeitosa de tratar ela desde cedo traz resultados respeitosos em todos os sentidos. Ela nos atende mais e sempre dá certo as explicações.

Explicamos a ela que esquecemos a chupeta dela na escola (porque afinal até então era nosso entendimento por não ter encontrado na bolsa dela da escola). Só que o cansaço na verdade não deixou a gente encontrar.

Viajando para Argentina, julho de 2017.

A chupeta estava lá desde sempre. Explicamos isso a ela na sexta (sobre não saber onde estava a chupeta) e durante o fim de semana encontrei (a chupeta) na bolsa dela. Mostrei a Joana e combinamos que seguraríamos a informação até a gente conseguir. Foi fácil? Não.

Ela “choramingou” alguns dias, fez um “dengo” apelando para a gente comprar outra. Sempre explicávamos depois que como ela estava sem a chupeta, agora ela já não era mais bebê. Por ela estar numa fase de desfralde (outro post nos próximos dias) então notamos que Valentina assimilou com mais tranquilidade que quem chupava chupeta eram os bebês. Entendemos que cada família tem seu tempo, mas aqui o argumento funciona.

Notamos que o ideal é que pai, mãe e familiares estejam conectados com os pensamentos e frases para o momento dar certo. Não cedemos e por isso funcionou bem e até hoje, 10 meses depois, ela jamais pediu a chupeta e sempre que vê um bebê chupando ela mesma diz que quem chupa a chupeta são os bebês.

O nosso aprendizado foi que sempre repetimos o mantra: “Valentina, faremos o melhor para você” e jamais “o que você quer”. Não é fácil colocar isso em prática até que parentes em alguns momentos querem ceder ao choro de apelo dela (e confesso que em alguns momentos eu cedo), mas uma conversa franca resolve para todos os lados. É preciso estar disponível para educação de seus filhos. Seja você pai, seja mãe. O ideal é juntar as habilidades de cada um para resolver a questão.

CHUPETA ORTODÔNTICA: De acordo com a profissional, por volta dos 2 anos, com o término da fase oral da criança, é o momento certo de remover a sucção não nutritiva, como chupeta, dedo e mamadeira. Entretanto, para não perder o hábito e deixar o bebê sem o objeto que, por muitas vezes, acalma nos momentos mais críticos, os pais têm recorrido ao uso da chupeta ortodôntica, que promete suprir as necessidades dos pequenos de forma benéfica.

Valentina em viagem conosco ao Museo de los niños na Argentina (julho de 2017).

“É importante salientar que a chupeta “ortodôntica” não é um termo aceitável pelos profissionais, já que ela não realiza nenhum tipo de tratamento ortodôntico. No entanto, as empresas de bicos tendem a fabricar chupetas mais anatômicas com design especial, base reta e estreita, causando assim uma menor interferência na oclusão (mordida)”, ressaltou a ortodontista. “Portanto, na hora de escolher, a ortodôntica é sempre a melhor opção. O que não invalida a recomendação de uso restrito e remoção de chupeta aos 2 anos”, acrescentou.

Com tamanhos e formatos de bicos que variam de acordo com cada fabricante, na hora da escolha, é preciso estar atento. “É importante salientar que eles não devem acompanhar o crescimento da criança, estacionando o tamanho por volta dos 6 meses e livres de BPA (composto químico usado na produção de plásticos e resinas muito nocivo à saúde)”, finalizou a Dra. Gabriela.

Serviço:

Clínica Abre o Bocão

Endereço: Padre Roma, 120 – Parnamirim, Recife

Fone: (81)3072.6814

@abreobocao

Assista ao vídeo (de postagem anterior sobre outra experiência com a retirada da chupeta). A entrevista foi ao amigo @papainocontrole ou melhor Marcos Romeu, lá de Brasília. Confere.