Uma pesquisa realizada pela Universidade Emory, nos Estados Unidos, confirma o que a maioria de nós notamos. Pais de meninas são mais atentos às suas filhas e atendem mais rápido aos seus apelos do que pais de meninos. A informação é confirmada por meio de um estudo sobre o papel que noções inconscientes de gênero podem ter na criação dos filhos.

O estudo garante que o gênero do filho afeta o comportamento e atitudes do pai em seu cotidiano quando a criança é pequena. Os pesquisadores monitoraram 30 pais de meninas e 22 pais de meninos entre 12 e 36 meses de idade. Os pais foram acompanhados com um gravador acionado de maneira aleatória por 50 segundos em períodos de nove minutos em quaisquer dias da semana.

Nota o que o estudo registrou:

  • Os pais cantavam mais para as meninas do que para os meninos;
  • Os pais falavam mais abertamente sobre emoções com as meninas, usando com mais frequência palavras associadas à tristeza, como “choro”, “lágrimas” e “solidão”;
  • Os pais de meninos se engajavam mais em brincadeiras de luta e diziam palavras mais ligadas a realizações e proezas, como “orgulho”, “vitória” e “superior”;
  • Os pais de meninas responderam ao chamado delas mais do que os pais de meninos.

A pesquisa buscou saber se a maneira como o pai trata o filho ou a filha tem alguma relação com o modo como o cérebro responde as crianças de sexo masculino e feminino. Para isso os participantes passaram por exames de ressonância magnética funcional, que aponta quais áreas do cérebro ficam mais ativas quando expostos a fotos de um adulto desconhecido, de uma criança desconhecida e dos próprios filhos com expressões faciais de felicidade, tristeza ou neutras. Os resultados indicaram que:

  • Os pais de meninas tiveram respostas mais fortes às imagens delas com expressões de alegria em regiões do cérebro importantes para o processamento visual, recompensa, regulação das emoções e processamento de faces do que os pais de meninos;
  • Os pais de meninos reagiram mais fortemente às imagens dos filhos com expressões faciais neutras – o que demostraria ambiguidade emocional;

Não houve diferença significativa na maneira como os cérebros dos pais de meninas e de meninos responderam às imagens de seus filhos tristes.

Os estudiosos ainda fizeram recomendações aos pais e mães (familiares de uma maneira geral). Pediram para as famílias deixassem de reforçar os estereótipos de gênero. De acordo com os pesquisadores é preciso que pais de meninos também permitam que eles expressem suas emoções, assim como fazem com as meninas gerando mais proximidade. E para os pais de meninas a orientação é que eles se engajem em mais atividades com elas, mesmo em atividades associadas para meninos. Os pesquisadores afirmaram ainda que o sexo da criança não deve limitar o comportamento, momentos de lazer ou relações que elas estabeleçam com seus cuidadores e pessoas ao redor.

O estudo foi publicado em dezembro de 2017 no periódico científico Behavioral Neuroscience.