As denúncias de que vídeos no YouTube têm sido interrompidos com mensagens que ensinam sobre o suicídio não são as primeiras com esse conteúdo na internet. Por sua vez, o YouTube nega que tenha encontrado conteúdo dessa natureza em suas buscas internas.

Enquanto ficam nessa briga, nós ficamos sem saber como agir em relação ao acesso de nossos filhos à internet. Por isso, conversei com a psicopedagoga Priscilla Quaresma — que já havia falado com a gente sobre a influência dos desenhos animados —, para saber como podemos intervir em caso de nossas crianças se depararem com conteúdo desse tipo.

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“Devemos orientar que, se a criança vir (a boneca Momo), parar de assistir e pedir ajuda a um adulto”, afirma. “Dependendo da idade, a criança nem vai perceber. Mas se for mais velha, deve chamar um adulto imediatamente”, completa.

Ainda de acordo com Priscilla, os pais precisam passar segurança para que a criança não fique com medo, explicando que não passa de uma boneca criada por quem quer assustar e que não vai atacar. “Pelas experiências que eu tenho, aos 5 anos de idade, elas já sabem o que é Photoshop. Então é importante dizer que a boneca não existe e que foi criada no Photoshop para assustar as pessoas”, explica.

Mas o maior recado é que existe a possibilidade da criança aprender a cortar os braços, como ensina a Momo. Por isso, é importante monitorar o uso dos dispositivos eletrônicos. “É fundamental ter esse acompanhamento dos responsáveis. Não se deve deixar as crianças com livre acesso, não só aos vídeos, aos jogos também”, comenta.

“Nesse vídeo em questão, a boneca aparece sob o som de uma música tranquila (baby shark), que os pais ouvem e acham que está tudo bem com o conteúdo”, reforça a psicopedagoga.