Eu tenho visto pela internet algumas pessoas defendendo que nós, pais e mães, não devemos nos meter na negociação de brinquedos entre crianças. Por antecipação a qualquer possibilidade de problema, nós já entramos na roda e pedimos pra nossos filhos abrirem mão do brinquedo em prol do amiguinho ou da amiguinha.

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Aquilo me levou à reflexão. Faz todo o sentido, uma vez que a criança nem sempre está disposta a interromper sua brincadeira, seu processo criativo para pensar numa brincadeira, etc. pra atender a uma vontade de outra criança que, como a maioria, ainda não aprendeu a esperar.

Em busca de resposta, eu entrevistei a psicóloga Priscila Bastos (CRP 02-17534), especialista em psicologia infantil. Ela começa afastando qualquer tipo de regra. Ela destaca a importância dos dois pontos de vista, tanto de ensinar a criança a dividir quanto de ensinar a outra criança a esperar.

“Vale refletir e, de vez em quando, dividir. É a mesma coisa quando um adulto está lendo um livro, por exemplo. Não faz sentido você parar de ler porque eu estou pedindo”, comenta. “Porém é diferente da situação em que o objeto ou brinquedo é de uso comunitário. Nessa hora, é importante ensinar a dividir”, acrescenta.

Ao mesmo tempo, Bastos destaca que é uma exigência muito alta para uma criança entender que ela tem que dividir tudo com todos. E ela também ressalta a importância de deixar as crianças se entenderem. “É bom deixar que se resolvam, mas nunca deixar chegar à agressão”, afirma.

Porém se a criança não quer emprestar de jeito nenhum, Priscila recomenda que isso seja trabalhado a longo prazo. “Um caminho para isso é fazer com que a criança participe das atividades da casa, que é a primeira sociedade dela”.

“Participando da arrumação, da faxina, da feira da casa, por exemplo, a criança vai começar a entender que ela vive em um coletivo e que tem outras pessoas que podem fazer as coisas junto com ela”, encerra.

Então, papais e mamães, vamos intervir menos e deixar que as crianças se resolvam mais entre elas. Mas, claro, tudo com supervisão, pra garantir que está havendo evolução.