As aulas já foram retomadas, e aquele desafio da adaptação teve seu primeiro capítulo encerrado. Agora é a vez das doenças. Semana sim, semana não, tem criança faltando aula por conta de uma virose ou algo parecido. É aquele período que as professoras mandam recado na agenda pedindo pra não levar criança doente pra escola.

Segundo o pediatra José Carlos Travassos, a maioria das doenças que ocorrem são infecções virais simples. Mas ele destaca infecções a ocorrência de infecções bacterianas, como as meningites por meningococo e por pneumococo.

“Os problemas mais frequentes são as infecções virais de vias aéreas superiores, conjuntivites e gastroenterites, que são as diarreias. Tem também a catapora e outras infecções virais, como as estomatites que são lesões na boca, e ainda síndrome mão-boca-pé [que tem como sintomas manchas vermelhas nessas partes do corpo e resulta em febre, dor de garganta, entre outros]”, afirma.

“Tem também infecções como as pneumonias e as amigdalites bacterianas são bastante transmissíveis”, acrescenta. “As medidas que os pais devem tomar são as seguintes: só levar a criança à escola com todas as vacinas em dia, orientar sempre lavar as mãos, orientar a não usar copo, garrafa e talheres de outras pessoas”, completa.

Além das gripes, há problemas relacionados à pele e ao cabelo. Acabam sendo transmitidos entre os próprios alunos. Uma forma de evitar é fazer um check up dermatológico antes do retorno à escola. A dermatologista Lígia Guedes ressalta a importância para este tipo de atendimento, principalmente porque ele pode evitar o contágio de doenças dermatológicas e ela sente a mudança do perfil dos seus pacientes em janeiro.

“No meu consultório, acabo recebendo mais famílias. Acontece muito de marcarem quatro consultas num mesmo dia e serem todos da mesma família. Esse tipo de consulta cresce 20% neste período do ano”.

Entre os problemas mais recorrentes, está o piolho, que costuma infestar a cabeça de vários alunos na volta às aulas. A recomendação básica para evitar o contágio é orientar as crianças a não compartilhar objetos pessoais, como escovas e pentes, diademas e bonés. Além disso, as meninas que têm cabelo comprido devem ir com ele preso.

“Essa doença é mais fácil de identificar, porque é fácil de visualizar na cabeça dos pequenos. Hoje em dia, inclusive, já tem remédio para pessoas a partir de 15 quilos, então as crianças e adultos da casa podem fazer o tratamento com ele e complementar com o tratamento diretamente na cabeça”, explica Lígia Guedes.

Ao sinal de coceira e vermelhidão na pele, atenção para outro problema comum: a escabiose, popularmente conhecida como sarna. Ela é uma doença contagiosa de pele e merece cuidados especiais para todos os habitantes da casa. “Neste caso, é importante que todos da casa façam o tratamento para evitar que um passe para o outro. Além disso, é preciso trocar a roupa de cama todos os dias”, ressalta.

Papais e mamães também devem estar atentos à higiene das crianças nas férias, quando os pequenos estão mais relaxados e costumam se descuidar. Isso porque, se ela não for bem feita, pode resultar em micoses, que são infecções causadas por fungos que atingem a pele, unhas e cabelo.

Pequenas bolhinhas na pele das crianças podem indicar a presença do molusco, também conhecido como molusco infeccioso. Como ele pode ser transmitido através do contato direto, é importante procurar o dermatologista para fazer o tratamento adequado.

“Tudo vai depender da imunidade da pessoa. Algumas têm contato e não pegam e outras pegam. Os pais precisam observar porque os moluscos precisam ser tirados e isso deve ser feito por um especialista”, detalha a dermatologista.

Em caso de doença contagiosa, é importante só levar a criança para a escola após a cura. Os professores e os coleguinhas agradecem.