Os recursos eletrônicos são cada dia mais usados e, nos tempos atuais, nem precisamos estar em casa sentados no sofá para recorrermos a desenhos animados ou qualquer outra programação infantil para entreter as crianças. Basta um celular ou um tablet que já podemos rodar algumas aplicações e deixar os pequenos quietos enquanto resolvemos alguma coisa.

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Porém isso pode se tornar um perigo se nós, pais e mães, não acompanharmos de perto o desenrolar dessas histórias. A psicopedagoga Priscilla Quaresma alerta que os adultos precisam estar perto para poder refletir junto com as crianças o discurso que está sendo dito em cada desenho.

“É primordial o acompanhamento dos pais, não só com os desenhos animados, mas com o uso do dispositivo. Porque a criança não vai ter uma noção madura daquilo que ela está assistindo”, comenta a especialista em educação infantil.

“Então o que ela vai achar que o que ela assiste é certo, embora esteja sendo distorcido, porque às vezes o desenho passa uma mensagem que aquilo que está sendo feito é certo e, na verdade não é”, acrescenta, citando desenhos como Peppa Pig e Masha e o Urso, que têm situações em que a figura infantil é quem dá as regras em detrimento à opinião da figura adulta.

Priscilla chama a atenção para a mensagem que animação passa e o poder de influência que ela tem sobre as crianças. “Quando as crianças começam a entender que elas são um pouco responsáveis por suas ações, elas começam a perceber a ação do outro. Aí é quando elas começam a querer aprender pela ação do pai, da mãe, de um irmão mais velho ou até um amiguinho da escola”, analisa.

Ainda segundo a psicopedagoga, os desenhos têm seus lados positivos e negativos e penetram com facilidade no aprendizado da criança por conta da ludicidade de suas histórias.

“Então eles começam a imitar o comportamento do outro. Por isso que eles se interessam muito por personagens de desenho, porque eles acham que, daquela forma, é legal e aí eles acabam imitando. A preocupação maior aí é se aquele personagem está agindo de forma positiva ou negativa para a educação daquela criança”, acrescenta.

“Os pais precisam estar atento e acompanhar de perto o que as crianças estão assistindo, porque, no momento em que o personagem tiver um discurso que influencia de forma negativa, o pai pode refletir junto com a criança sobre a ação errada do personagem”, completa.

Uso de dispositivos por crianças

Outra preocupação apontada pela psicopedagoga Priscilla Quaresma é com relação ao uso de dispositivos por parte de crianças. “Elas, mesmo sem escrever, fazem busca por voz no Google, por exemplo, para encontrar o desenho desejado e podem acabar acessando vídeos com conteúdo adulto ou com discurso distorcido”.

Ela cita também vídeos publicados no YouTube que contam com a animação original, mas com dublagem distorcida ou até criações de diálogos que levem à influência negativa, com exposição a agressividade e a temas que estão além da idade da criança.

“Umas das características que precisam de mais atenção são quando o desenho começa a mostrar uma agressividade maior ou quando começa a demonstrar um padrão de beleza que se sobrepõe a outros. Isso pode trazer uma precocidade no comportamento das crianças, não só de agressividade como nessa questão de um aspecto de um padrão corporal, de ser magro, de estar maquiado, etc.”, encerra.

Ou seja, há momentos que a gente precisa muito de uma pausa na farra, mas não devemos deixar a criança mergulhar sozinha nesse aprendizado.