“Geralmente, quem ‘corre’ é o pai. Eu não condeno ela não. Prefiro me dedicar ao meu filho”. Esse é o sentimento de Aílton Valdevino, 36 anos, pai de Luan Henrique, 7. Em meio a tantas histórias de pais que abandonam seus filhos em busca de uma vida mais “light”, na fuga mesmo do trabalho árduo que é educar uma criança, nosso entrevistado foi quem ficou solitário na missão de cuidar do filho diagnosticado com paralisia cerebral.

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“A médica disse que meu filho ia vegetar. Aí a mãe dele não aguentou”, conta Aílton, que viu sua esposa se mudar para o exterior após um ano de convívio com a paralisia. Desde então, Aílton abdicou de uma vida de lazer e bebedeiras pelas ladeiras do Ibura, na Zona Sul do Recife, para ir atrás de um tratamento para o menino.

“No começo era mais difícil, porque eu fazia tudo de ônibus. Hoje ele tem condução do governo que leva ele pra escola”, explica. “Eu corro atrás, estimulo ele, mostro as coisas, levo ao aeroporto, à praia, mostro os animais, as pessoas. Não é fácil cuidar de filho especial. Eu não paro”, acrescenta.

Aílton, além de ir à escola para dar o lanche a Luan, leva o garoto, no outro horário, para tratamentos com fonoaudióloga, fisioterapeuta e psicopedagoga. “É como se o cérebro dele tivesse um espaço vago. Se tiver uma convulsão forte, ele retarda. Mas hoje ele sabe o nome dos vizinhos, dos amigos”, reforça.

O resultado disso é um filho apaixonado pelo pai e vice-versa. Mas até chegar a esse ponto, Aílton viu amigos se distanciarem e até rirem de sua decisão. “Hoje eles reconhecem o que eu fiz”, conta. “Eu gostava de sair pra farra e deixei um pouco até porque meu filho só tem a mim, e ele me mudou também”, completa.

“Eu tive namorada que me deixou porque ela dizia pra eu deixar meu filho com minha mãe, e eu não deixava”. A luta de Aílton não vai acabar tão cedo. Mas ele tem se visto mais forte a cada dia de saída com Luan. Para os pais que se veem em desespero por ter um filho especial, ele deixa uma mensagem. “Não desista não, porque a luta não é fácil”, encerra.