Primeiro dia na escola às vezes é mais difícil para os pais do que para a criança

Eu sempre quis que chegasse o momento de Clarice ir para a escola, ficava pensando em como seria a adaptação dela e a interação dela com outras crianças. Pensava sempre em como ela poderia acelerar a evolução dela estando em contato com outras pessoas e adquirindo habilidades e conhecimentos de forma didática, de uma forma que eu e a mãe dela não teríamos a capacidade de passar.

Pois bem. Esse dia chegou. Não é a escola propriamente dita nem a decisão foi espontânea. Devido a circunstâncias que dificultam que nós da família – nem pais nem avós – cuidemos de Clarice às quintas-feiras. Foi aí que entrou em ação o hotelzinho. Entre a decisão e o primeiro dia, foram menos de 48 horas, o que, lógico, não permitiu a minha completa preparação psicológica.

Achei o que todo pai acha. Que talvez ela não se integrasse logo de cara com as outras crianças, que ela não saísse perto de mim e da mãe. Me preparei para essas possibilidades, mesmo sabendo que o perfil de Clarice não é de se acanhar, mas poderia ser que ocorresse por estar em um ambiente totalmente novo e sem a presença dos pais.

Enfim, logo que chegou Clarice foi direto para os brinquedos sem nem tomar conhecimento das professoras e dos novos coleguinhas e tomou o brinquedo de uma das crianças antigas e maiores. Pensei: “vamos ter a primeira briguinha com menos de 1 minuto”. Mas tudo foi contornado. A coleguinha teve de abrir mão em nome da boa acolhida à novata.

Fiquei por lá mais alguns minutos, mas tive que sair. Mesmo que eu tentasse me despedir, não teria sucesso. Ela sequer olhava para trás. A mãe ficou. Havia trocado o horário no trabalho para poder monitorar esse dia. Clarice mostrou na prática que não precisava tal manobra. Brincou, lanchou, brincou de novo, teve aula, tomou banho, almoçou e não deu um “ai” nem buscou a mãe, que teve de sair antes do fim da manhã.

Coube a mim a tarefa de buscar-la no hotelzinho. Metade do dia já estava suficiente para a integração. Ao me ver, depois de quatro horas (o que pra mim foi uma eternidade, já que ela não estava em casa), agiu com uma naturalidade, como se nada tivesse mudado na rotina dela.

Essa maturidade de Clarice me deixa orgulhoso, mas está também me deixando preocupado. No fundo, ocorreu tudo como deveria e como eu queria, mas de uma forma diferente do que eu achava que seria. Novos relatos dessa adaptação (que deverá ser breve), na próxima semana.

Comenta aí como foi que vocês passaram por essa fase.

Compartilhe:
Geraldo Lélis

Pai de Clarice, companheiro de Juliana e jornalista. Apaixonado pelas minhas meninas.