Quem disse que amamentar é coisa somente de mãe?

ONU alerta que o aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de vida e complemento até dois anos de idade. Após isso seria um critério entre mãe e bebê.

Foto: Natália Gaudêncio/Divulgação.

Mesmo antes do primeiro dia de vida de Valentina fora da barriga da mamãe Joana, eu sempre quis participar de todos os momentos. Se eu e Joana fizemos concebemos juntos (com a permissão de Deus) por que eu não participaria de todos os momentos? E com o aleitamento isso não seria diferente.

Relatores de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que “a amamentação é uma questão de direitos humanos para bebês e mães que deve ser protegida e promovida para benefício de ambos”. Os relatores alertam que os países devem adotar ações urgentes para pôr um fim ao marketing “enganoso, agressivo e inapropriado” sobre os produtos substitutos do leite materno.

E o que nós pais devemos fazer para participar do processo? Colocar silicone para dar de mamar? Não! (risos). A minha experiência de pai de primeira viagem sugere que você deve contribuir para o bem-estar de sua esposa e filho(s).

Aqui em casa eu sempre procurei deixar Joana bem descansada para que ela pudesse ficar aliviada e a produção de leite fosse uma constante. Certo dia quando Valentina tinha por volta de dois meses de vida, nós tivemos um compromisso de ir a um casamento de amigos/irmãos em que precisamos deixar nossa primogênita com a tia e mãe de Joana. (depois prometo escrever um post somente sobre isso).

Nos arrumamos para sair e Joana ficou na expectativa de desmamar e guardar nos potes apropriados. Lembro bem que a cobrança dela em produzir o leite era tanta que praticamente ela não extraia o suficiente para que Valentina pudesse saciar quando acordasse e a gente não estivesse em casa. Quando desistimos de ir e Joana estava certa de que não iríamos, então ela começou a perceber o leite minando no seio. “Além disso, as pessoas em minha volta ficaram perguntando se eu tinha desmamado e tinha muito leite para nossa bebê”, me lembra Joana ao escrever esse texto.

Isso é apenas um dos exemplos de que a mamãe estando cansada, com cobrança e estressada, o leite diminui. Não sou pediatra, mas escuto muita gente dizer: “Ah, minha esposa tem pouco leite!”; “Ah, a criança não quis mais peito!”. Confesso que isso verdadeiramente me intriga porque Valentina nasceu em 18/9/2015 e ainda em novembro de 2016 na publicação desta postagem ela mama que só uma bezerrinha. Quando vê que a mamãe Joana voltando das aulas de personal trainer, o sorriso dela não cabe no rosto ao perceber que tem peitinho para ela se divertir a acalentar, mesmo que se alimenta super bem.

DADOS ONU – Os especialistas alertam que as campanhas publicitárias têm efeitos negativos sobre as escolhas que pais e mães têm para o alimento da criança que ainda necessita pelo menos nos seis primeiros meses de leite materno exclusivo. Os países em desenvolvimentos são alvos extremamente perigosos afinal poucos países adotam medidas legislativas rigorosas e abrangentes para combater o problema. A ONU diz ainda que “há uma falta de prestação de contas das empresas, numa indústria que movimenta US$ 44,8 bilhões por ano e deve chegar a US$ 70 bilhões até 2019”. Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “as vidas de 820 mil bebês poderiam ser salvas todos os anos se todas as mães e pais seguissem a recomendação da organização de iniciar a amamentação horas depois do parto e seguindo com a prática pelos próximos seis meses”. Para a agência da ONU, as mães deveriam continuar amamentando seus filhos até eles atingirem os dois anos de idade, complementando a dieta com outros alimentos.

Lembre-se de sempre seguir as orientações do pediatra de seu(ua) filho (a).

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Fernando Alvarenga

Cristão, pai de Valentina, casado com Joana Barros e jornalista.