Entre as barreiras de ser pai ativo, a maior é o costume

Ser um pai ativo é muito revigorante. Todos revigoramos nossas energias sempre que fazemos algo pelos nossos filhos. A satisfação é enorme. No entanto, é preciso tomar alguns cuidados, pois, apesar de estar ocupando o lugar que sempre foi seu, o pai encara de frente toda uma cultura de séculos que ensina que essas tarefas relativas aos cuidados das crianças são da mamãe.

A psicóloga especialista em Atenção e Promoção à Saúde da Família, Chayenne Camaroti, aponta essa como a principal barreira enfrentada pelo pai que decide cuidar de sua criança, mas alerta para que tanto pai como mãe ou outros atores saibam encontrar um caminho comum. “Por trás de todas, a maior dificuldade é ir contra todo esse tempo de cultura. Vencida essa barreira, tem que saber até onde vai”, diz. “É importante todas as partes envolvidas construírem isso juntas. O respeito ao limite do outro, a forma de agir do outro”, alerta. “É importante identificar as habilidades de cada um para daí poder aproveitar o melhor de cada”, acrescenta.

Ainda segundo Camaroti, pode acontecer de a mãe sentir que está perdendo espaço. “O espaço sempre foi ocupado por elas. Por outro lado, ao mesmo tempo em que elas se sobrecarregam de várias atividades, como amamentar, que só elas podem fazer, elas também são possuídas por um turbilhão de emoções. Por isso, eu reforço que essa relação participativa do pai tem que ser uma construção compartilhada”, comenta. “É preciso ter cuidado, porque estamos falando de relações que são vividas todos os dias 24 horas por dia, então tem que administrar as interferências externas, como as que vêm do trabalho, para poder encontrar um caminho”.

Outro ponto destacado pela psicóloga é que pai e mãe não podem entrar em competição para ver quem cuida melhor. “Não existe um padrão de cuidar. Cada um faz da melhor forma, e o importante é que a criança esteja bem cuidada. Por isso, eu falo que é preciso encontrar as habilidades de cada um para pode explorar da melhor forma”, disse.

Então papais, vamos cuidar dos nossos filhos, encarando essa cultura antiga, mas prestemos atenção para competirmos com as mamães.

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Geraldo Lélis

Pai de Clarice, companheiro de Juliana e jornalista. Apaixonado pelas minhas meninas.